• Vera Cristina

Você perguntou e esta é a minha resposta

No ano passado, durante um desafio de escrita criativa, escrevi sobre as compras por lavar. Hoje, essa lembrança apareceu porque pensei nas palavras por escrever. Já não lavo mais as compras, passo um pano com “alquinho” e está tudo bem, pelo menos em minha cabeça. Sobre as palavras, reflexos do que se passa dentro de mim, ficam nas minhas prateleiras internas, expostas como os pequenos bibelôs da minha sala real, à espera de serem colocados no arranjo que considero “mais apropriado esteticamente”. E as palavras, os sentimentos e pensamentos? Se amontoam na geladeira interna, como os potes com os descartes do meu fermento natural ... Como tantas outras coisas nesta casa, esperam ...


Às vezes, da espera surgem grissinis para um petisco à tarde, surgem conversas que organizam o que está dentro, se organizam passos que levam o corpo para uma caminhada na vizinhança. E, também, surgem textos.


Eu queria produzir mais! Fazer mais pães, tenho uma receita ótima para um bolo, plantar mais sementes, esvaziar os armários, escrever mais textos! Mas não daremos conta de comer tantos pães, nem espaço para tantas mudas, nem como, na pandemia, doar o que está parado nos armários. E os textos, por que não os escrevo? Porque talvez ao produzi-los e publicá-los alguém os elogie; mas não quero elogios, não posso precisar deles, preciso que eles saiam e se ajeitem, porque, assim, minhas ideias e sentimentos se organizam. Quero opiniões, não sobre como torná-los “melhores” para um júri, mas sobre como serão melhores ferramentas que me ajudem a me compreender na minha totalidade plural Quero sororidade e fraternidade e não, troféus. Quero um aperto de mão e não um tapinha nas costas.

Quero apenas uma folha em branco, meu lápis apontado e minha mão sem amarras, embora possa ter hesitações, para escrever-me.

E é por isso que escrevo, Sofia.


02.ii.2021


Fotos: estante com bibelozinhos; caderno (fotos arquivo pessoal)

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