• Vera Cristina

#dia 13 - A vida sem abraços

O barco havia chegado àquele porto para ficar poucos dias. Seria apenas para reabastecer, comprar alimento para a tripulação e uma revisão básica: motor, equipamentos eletrônicos, velas, adriças, escotas e espias. Mas aí o tempo mudou. A tempestade veio e foi muito prolongada. E o barco ancorou-se naquele porto por muito mais tempo do que desejara. Às vezes, em alto mar, sentia saudades de ver a costa, navegar em águas rasas, ser acompanhado por peixes, tartarugas e outros seres marinhos. Mas, agora, além de estar naquele atracadouro por mais tempo do que o planejado, estava praticamente sozinho. Para ver outros barcos, apenas do alto do seu mastro. Seu único consolo era ver, ao longe, aquela construção alta, em forma de barco, com suas velas abertas. E, ao vê-la, ele se lembrava do suave toque do vento em suas velas, empurrando-o para o seu destino. E sentia-se confortado por ter boas lembranças e por ter aprendido a confiar na vida e no vento. Que certamente voltaria a tocá-lo.



Fotos: Burj_al_arab, Dubai (fonte: 1-2-fly.com); veleiro Horizonte (fonte: ed_cabanga.com.br)


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