• Vera Cristina

#dia 11 - Nenhuma dúvida

A folha terminou em branco.

Nenhuma anotação sobre a aula.

A aula ...

Filosofia.

O quê anotar?

O professor falou muito, ora andando pela frente da sala, como um daqueles bonequinhos de barracas de tiro-ao-alvo de filmes americanos, ora sentado na mesa, olhando para o teto, segurando um cigarro imaginário. Era quase o final da aula e a vontade de fumar devia ser quase insustentável. Olhar para nossas faces imperturbáveis, enigmáticas, mas certamente distantes, deveria ser mais difícil ainda.

Havia discorrido sobre os filósofos gregos clássicos, desde os pré-socráticos até o próprio Sócrates.

O quê anotaria? Minha mente tentava seguir sua linha de pensamento, mas se perdia em perguntas próprias, que teimavam em interromper minha aula.

Um pouco antes do final, a pergunta fatal: "alguma dúvida, classe?"

E nossas faces caladas respondiam- nenhuma dúvida! E minha mente me dizia: "Só sei que nada sei e, portanto, duvido!" Ah, meu lado geminiano ...




Foto arquivo pessoal


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