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QUINTAL DA ESCRITA

Escritos variados, em tom de coversa

 

#dia 10 - Nenhuma certeza

Naquela época, na faculdade, tínhamos aula de Educação Física. E precisávamos ser aprovados nela. Eu, que nunca consegui me interessar por atividades esportivas, por total falta de coordenação motora, precisava escolher; vôlei, futebol, yoga, natação, handebol ... A escolha fácil seria yoga, eu tranquilona, de boas, “suave na nave” ... Não! Já que teria que cursar, que fosse algo “aproveitável” para mim, decidi, naquela época! E lá fui eu aprender a nadar ... Além do problema

#dia 8 - Sinto felicidade e medo

Aaaaaaaaaaa, que tédio!!!! Já fiz tanta coisa, me mexi muito, conheci lugares, comi muito, mas muito mesmo! Só que precisei me mudar para este lugar, e ele foi ficando muito pequeno ... Agora, mal consigo mover minhas pernas. Não sei o que esperar do futuro. Tudo é tão incerto ... Coisas acontecem e não consigo entender o que é ... Estou mudando internamente e não sei como estarei quando terminar meu período de isolamento social. ... Preciso ... sair daqui! Preciso ... sair .

#dia 7 - Sem máscaras

Sou quem eu sou. Goste ou não. Gostem ou não. Meu rosto tem rugas, cicatrizes, marcas da vida, caminhos que trilhei. Meu cabelo tem ainda a poeira dos lugares por onde andei, das camas aonde me deitei; meu corpo tem as marcas das lutas que travei, às vezes interna, outras externamente. Minha voz tras a marca dessa vida vivida em seu tom, em seu ritmo e nas palavras, escolhidas ou não. As roupas escondem o corpo, a educação enverniza as ações, escondendo as marcas e os caminho

#dia 6 - Na casa do meu coração

A casa do meu coração tem quintal, tem cachorro e gato convivendo quase pacificamente. Tem cozinha grande e quartos confortáveis. As janelas dos quartos dão para o quintal e o cheiro das plantas de fora perfumam o seu interior. Na casa do meu coração as camas são macias, os lençóis cheiram a ervas, bem limpos, e a colcha de retalhos, feita com cuidado, cobre todas as camas, trazendo cor para dentro da casa. Nesta casa, de manhã, se sente o cheiro de café recém-coado, em coado

#dia 5 - Um cão que leva seu dono para passear

Todo dia ele faz tudo sempre igual. Acorda, se sacode e vai latir na beira da cama do seo Astolfo. Este, com certa relutância, se levanta, calça os chinelos e se arrasta até o banheiro. Zico, o cão vira-lata adotado pela família, é paciente. Paciente, mas persistente. Sabe que depois que seo Astolfo se aprontar—banheiro, cozinha e sala— ele pode voltar a insistir: latir, mover rápido o rabo, olhar para ele e voltar o olhar rápido para a guia de coleira, latir novamente, dirig

#dia 4 - Um romance inesperado entre velhos conhecidos

Romance é uma palavra que remete ao amor. E amor é algo que acontece apenas entre seres humanos, dizem. Será? Então, por que dizemos que amamos dormir com travesseiros fofos, tomar banho de cachoeira, nossos pets ou comer uma lasanha? Já ouvi alguém me corrigir ao usar esse verbo para comidas. Fazer o quê? Cada um com suas escolhas! Mas este texto é sobre romance e isso envolve aproximação, uma conexão que não havia antes e, de repente, se faz presente. No meu caso, amo abaca

#dia 3 - Um vizinho de quem agora sei muito

Desde que se mudaram para cá, observo estes meus novos vizinhos com atenção. Foram trazidos para substituir “estrangeiros”; sim, do outro lado do Atlântico—de Angola! E vieram para trabalhar. Todos. Os adultos, os jovens, machos e fêmeas. Mas o trabalho não é duro, é apenas seguirem seus instintos e acabarem com nossos inimigos, os escorpiões. No começo, me encantava ouvi-los cantar a partir do terreno ao lado de casa, às vezes em horários estranhos, como no meio da tarde. Ag

#dia 1 - Julhar

Junhei. Caminhos se abriram, Os olhos, antes fechados, agora olham ao redor. Verdes, folhas, luz, sombra. Cheiros, texturas, sabores, amores. O frio, o inverno, o aconchego a espera o acalmar-se o respirar tranquilo. O ar, agora também tranquilo, que invade os pulmões, e não mais queima, acorda a luz, a sombra, os cheiros, os sabores, os amores. E meus olhos vêem. E julho, o que me trará? #Julher #escritacriativa #julhoquevou

#dia 2 - Natureza morta

Olhei as frutas descansando na fruteira. E me veio à mente a expressão “natureza morta”. Pensei como isso seria possível se, para mim, ali ainda tinha vida. Eu ainda comeria aquelas frutas. Prometi a mim mesma! Como uma resolução de Ano Novo, mas na pandemia. Vou comer mais frutas, tomar mais água, fazer exercícios, me auto-observar, ler mais, pintar, cozinhar com prazer, fazer cursos on-line, aprender algo novo, olhar as nuvens. E, de repente, também estava morta de cansaço,