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QUINTAL DA ESCRITA

Escritos variados, em tom de coversa

 

#flor do dia 1 - Dália

Demorou um pouco para os meus olhos se acostumarem com a luz dentro da Tenda. O tecido grosso filtrava a luz do sol e uma árvore no canto do térreo projetava as sombras de suas folhas. Para ajudar, havia pequenas tochas e um ventilador no chão deixava o ambiente mais agradável. As organizadoras dos encontros estavam terminando de explicar a dinâmica das reuniões quando cheguei. Percebi que outras mulheres haviam entrado na tenda, seguindo o meu chamado. Sentaram-se espalhadas

Prólogo

Eu poderia escrever coisas românticas sobre as flores, uma para cada dia de setembro ... Poderia ... Mas as palavras que vêm da minha alma clamam por outras expressões do Ser. Talvez reflexos ainda de agosto e suas loucuras, palavras excludentes, conversas que alumiaram partes escuras de pessoas até então “iluminadas”, “cidadãos de bem” ... Além disso, a ocupação daquele terreno, antes apenas um campinho de futebol abandonado, no bairro da Laura Claire, ou Dona Laura, como é

#Capítulo 4a - O natal em agosto, parte 2

À noite, sentada no sofá, com Agosto recostado em seu colo, Claire passeia pelas redes sociais. E, em uma dessas, cheia de fotos e pouco textão, vê o post de sua professora de escrita em que ela fala do complexo de impostora e, de forma divertida, pergunta se a pessoa se sente naquele dia como Ruth ou como Raquel. E Claire se pergunta também quem seria: Ruth? Raquel? Ou Ruquel? Lembra-se que, à tarde, fez a atividade proposta pela professora, trabalhando com fios e um tear im

#Capítulo 4 – O Natal em agosto

Eu jurava que ainda estávamos em agosto. A ventania que revirava as folhas no quintal e o tempo seco me avisavam disso, assim como o calendário na cozinha. Por isso, estranhei muito quando saí na porta de casa e me deparei com aquele outdoor enorme avisando sobre a chegada do Papai Noel no estacionamento do shopping da cidade. Olhei para os lados para verificar se mais alguém estava estranhando aquilo. Rapidamente, voltei para dentro, troquei os chinelos pelo sapato-de-sair-n

#Capítulo 3 – O pai de Agosto

Como vocês já sabem, Agosto chegou em nossa casa por uma espécie diferente de cegonha: um cachorrinho. Minha filha e eu desconfiávamos que ele tinha vindo de uns vizinhos que tinham gatos, mas nunca pudemos comprovar nossas suspeitas. Por conta disso, Agosto nunca conheceu ou conviveu com seu pai; certamente, passou um curto período com sua mãe, mas assim que deixou de mamar, foi entregue à sua própria sorte. E nestes dias sombrios e estranhos deste agosto agourento de 2020 e

#Capítulo 2 – Um gato chamado Agosto

Ele chegou de forma inesperada e sem que estivéssemos procurando por ele. Veio, pela rua, pendurado na boca de um cachorrinho, sendo balançado para lá e para cá, como se fosse uma pelúcia. Aquela visão meu deu uma agonia ... não era o prenúncio de um bom desfecho para aquele filhotinho, na boca de outro filhote brincalhão. E assim foi que eu o “salvei” daquele destino, tirando-o daquela boca. Que ficou vazia, e seu dono me fitando, sem entender. Eu já tinha posto tela na grad

#capítulo 1 -Agosto como eu me lembro

Agosto já foi um mês atribulado. Volta às aulas, novas disciplinas, retornar a rotina de aulas à noite e uma semana corrida. Também já foi um mês de voltar de viagem, quando isso ainda era possível. Desfazer malas, separar lembrancinhas, lavar e guardar roupas que só seriam usadas no próximo julho, quem sabe. Em agosto, era bom reorganizar e compartilhar fotos, contar estórias dos novos lugares, ou dos antigos lugares mais uma vez revisitadas. E assim, percebíamos o quanto aq

#dia 5 - Um cão que leva seu dono para passear

Todo dia ele faz tudo sempre igual. Acorda, se sacode e vai latir na beira da cama do seo Astolfo. Este, com certa relutância, se levanta, calça os chinelos e se arrasta até o banheiro. Zico, o cão vira-lata adotado pela família, é paciente. Paciente, mas persistente. Sabe que depois que seo Astolfo se aprontar—banheiro, cozinha e sala— ele pode voltar a insistir: latir, mover rápido o rabo, olhar para ele e voltar o olhar rápido para a guia de coleira, latir novamente, dirig

#dia 4 - Um romance inesperado entre velhos conhecidos

Romance é uma palavra que remete ao amor. E amor é algo que acontece apenas entre seres humanos, dizem. Será? Então, por que dizemos que amamos dormir com travesseiros fofos, tomar banho de cachoeira, nossos pets ou comer uma lasanha? Já ouvi alguém me corrigir ao usar esse verbo para comidas. Fazer o quê? Cada um com suas escolhas! Mas este texto é sobre romance e isso envolve aproximação, uma conexão que não havia antes e, de repente, se faz presente. No meu caso, amo abaca